Rezar é repetir palavras segundo fórmulas determinadas.
É produzir eco que a brisa
dissipa, como sucede à voz do sino que
no espaço se espraia e morre
Orar é sentir.
O sentimento é intraduzível.
Não há palavra que o defina com absoluta precisão.
O mais rico vocabulário do mundo é pobre para traduzir
a grandeza de um sentimento.
Não há fórmula que o contenha, não há molde que o guarde, não há modelo que o plasme.
O sentimento é, por natureza,
incoercível. Como o relâmpago prenunciando temporal, o sentimento
fere o campo de nossa consciência;
e, num dado instante, penetra o âmago do infinito.
Quem o retém?
Quem ousa interpretá-lo?
Quem o pesa e quem o mede?
Só Deus o conhece, só Deus o julga
com justiça, porque só Deus sabe
o que são essas vibrações de nossa alma,
quando para Ele apelamos na linguagem
misteriosa do sentimento.
Nosso espírito sintetiza numa só vibração
aquilo que o vocabulário terreno não
diria após haver
esgotado o derradeiro elemento de todos
os seus recursos.
Orar é irradiar para Deus,
firmando desse modo nossa comunhão com Ele.

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